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domingo, 20 de abril de 2008

Depois de um bom período de descanso eis me aqui de volta à ativa, se bem que sera que isso faz diferença ?

para começar ai vai um poema que eu gosto bastante.



"Quando vier a primavera
se eu já estiver morto
as flores florirão da mesma maneira
e as árvores não serão menos verdes
que na primavera passada
pois a realidade não precisa de mim.
Sinto uma enorma alegria
ao pensar que a minha morte
não tem importância nenhuma.
Se eu soubesse que amanhã morreria
e que a primavera era depois de amanhã,
eu morreria contente
porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir
senão no seu tempo?
Como o real.
Gosto de tudo que seja real
que tudo esteja certo,
e gosto porque assim seria
mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se eu morrer agora,
morro contente porque tudo é real e tudo está certo.
Podem rezar latim
sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem podem dançar
e cantar à roda dele.
Eu não tenho preferências
para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é."

Poema de Fernando Pessoa, sob o heterônimo Alberto Caeiro